As classificações ISO para salas limpas são a base técnica para projetos de ambientes controlados em indústrias farmacêuticas, de alimentos, saúde e alta tecnologia. Entender essas classes é fundamental para definir corretamente o sistema HVAC, a estratégia de filtragem e os controles operacionais.
A norma mais utilizada é a ISO 14644-1, que define classes de limpeza do ar com base na concentração máxima permitida de partículas em suspensão por metro cúbico. As classes vão de ISO 1 (mais limpa) até ISO 9 (menos restritiva), com limites diferentes para partículas de diversos tamanhos.
Na prática industrial, as classes mais comuns variam entre ISO 5 e ISO 8, dependendo do processo. Por exemplo, áreas de enchimento asséptico e operações críticas de manipulação estéril tendem a exigir ISO 5 na zona imediata de trabalho, enquanto áreas de apoio podem ser ISO 7 ou ISO 8.
Essa classificação impacta diretamente o projeto do HVAC. Classes mais exigentes demandam maior taxa de renovação de ar, maiores níveis de filtragem (com uso de filtros HEPA ou ULPA) e controle rigoroso de vazões para garantir gradiente de pressão entre ambientes limpos e menos limpos. Tudo isso se traduz em maior carga térmica e consumo energético.
Além da contagem de partículas, projetos de salas limpas consideram temperatura, umidade relativa, diferença de pressão entre ambientes, direção de fluxo de ar e tempo de recuperação após abertura de portas. Esses requisitos devem ser claramente traduzidos em especificações de unidades de tratamento de ar, dutos, caixas terminais, difusores e estratégias de automação.
Por fim, é essencial pensar em ciclo de vida. A classificação ISO precisa ser mantida ao longo do tempo, não apenas na partida do sistema. Isso exige acesso adequado para manutenção, pontos de amostragem, monitoramento recorrente e revisão periódica de filtros e equipamentos.